segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

MEU ANJO LILÁS

                                 

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PÁSSARO DE SOFIA


Quando o frio olhar da noite via
todo o saber da vida, que sucumbia,

veio em luz comer na mão de Sofia,
leve e grande pássaro da sabedoria,

qual raio de sol iluminando mentes rasas,
chegou batendo um grande livro como asas,

sobrevoou mil lindos campos com o vento,
e bem assim correu cidades num momento,

soltando plumas de amor e bem querer,
e cobriu homens de elementos do saber.

PEDAÇOS DA ALMA


Perdão,
se pede,
não se perde,
perdoa,
perdoo,
peço perdão...

Triste ida,
reclama vida.
Sem ela,
drama,
vela,
chama,
zela,

chama,
a ela,
vela ...

Não vi,
perdi,
partiu,
não vivi ...

Queria cantar
encantado canto,
mas desconto
o som
não cantado,
em meu tanto
cansado,
e me ponho calado.

Vestido,
me ponho,
em roupão
medonho,
vertido,
me engano,
tão dentro
do pano.

Sem vestes,
me cubro
de chumbo
insano,
meu traço
humano
se vai,
deste plano.

Vem dela
meu traço,
nas telas
que faço,
pintando
do ontem,
tão belas,
eu trago,
mas hoje,
chorando,
não fico,
me apago ...

Perder,
nem pensar,
preciso ficar!

Minhas dores,
vão aí,
meu carinho,
está aqui,
o que pedes,
não ouvi,
o que queres,
escrevi,
o que sonho,
não pedi,
o que amo,
vem de ti.

Vida
não seguida
triste partida.

Morro
só de ver
o que morre
sem querer.

Que tolo fui
em não olhar,
que triste sou
ao ver agora,
passar a chuva,
assim mergulho
em água turva.

Bem que queria
não ser assim,
mas voz se cala
dentro de mim.

Um leve sonho,
que foi feliz,
não escapou,
nem por um triz.

Rosto cruel,
eu vejo agora,
é minha vida
que ora chora.

As minhas unhas,
sujas de ilusão,
esgravatam sonhos
perdidos no chão.


Nota do autor.
“Pedaços do eu na fragmentação das aparências.”

domingo, 4 de dezembro de 2011

COMO É BOM SER DUENDE




Meu peito ascende,
nada aqui me prende,
que bom ser duende!

Nota do autor.
“Detalhe do diário de um elemental.”

MUITO ALÉM



Há uma eternidade,
parado, aqui estou,
esperando que passes ...

Mas teu passar, que não vem,
causa-me impasses,
pois penso que volves,
mas volta, não tem,

e fico assim, na verdade,
parado no tempo,
olhando ninguém,
dizendo a mim mesmo:
- meu amor, vem!

Mas qual o quê ...

Eu sei que agora,
estás, do aqui, muito além.


Nota do autor.
“Mas um dia tudo voltará a ser como antes.”

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

MUITO TEMPO


No dia-a-dia,
há muito tempo, não via,
cadeira vazia.

CHUVA FINA NÃO-BOA

 
Ai, que triste chuva fina,
sem o vento que a vida, empina,
vem dos frios ares do sul,
ao sudeste de nossa esquina,
cai, em vão, de’um céu não-azul,
em quem se vai,
assim tão menina.

Ai, chuva fina. É garoa,
que descansa no ar, bem à-toa,
como véu de gotículas, que voa
na manhã que seria verão.
Que chuva fina não-boa,
celebriza o frio a São Paulo,
e tira o sol da Gamboa.

Nota do autor.
“Um dia, nos reencontraremos, meu doce Anjo Lilás.”